21.4.10

Os defeitos de sempre

"Agora sei não mais reclama
Pois dores são incapazes
E pobres desses rapazes
Que tentam lhe fazer feliz (...)"
Linda Rosa - Maria Gadu


Meio termo nunca funcionou comigo. Meio amigo, meio amor, meio amante, meio sei-lá-o-quê. Todas as minhas relações eu mantenho-as nos extremos. Não tenho colegas, tenho amigas. Não sou afim de ninguém, sou perdidamente, incondicionalmente apaixonada. Ou amo, ou detesto. Gosto de coisas óbvias, claras. Não tenho tempo nem paciência pra entender o que dizem as entrelinhas. Ou quer, ou não quer. Ou sim, ou não. Não enrolo e nem faço ninguém esperar por mim, odeio murchar a esperança alheia. Sou sempre eu que espero pelas pessoas, que se entrega por inteiro, que dá tudo de si. A cara, o coração, a coragem. Sou sempre eu quem sobra no final, esperando por alguém que sabe-se lá quem é. Por alguém que não tenha amarras, que não me ofereça metades nem sobras. Alguém inteiro e que vai saber gostar de mim exatamente como sou. Alguém que compreenda que embora minha pose seja dura, meu coração é mole que só. Alguém que tome atitudes e iniciativas, que dê o pontapé inicial e não me deixe sobrando no final. E veja só, por fração de segundos eu quis que esse alguém fosse você, na verdade, eu já até te imaginava aqui em casa assistindo um bom filme, e rindo da maneira como eu me sento. Mas essa é mais uma das minhas péssimas manias: estar cem anos luz à frente. Talvez um dia apareça alguém que acabe com essa loucura, mas não foi você. Tirei o time de campo, saí do jogo, entreguei as cartas, você preferiu assim. Eu podia ter agido diferente, deveria ter colocado em prática todas aquelas teorias que aprendi por aí, mas o meu eu não deixa, eu não sei jogar assim. É mais confortável quando eu fico desse lado. Já decorei meu papel. Estou no meio do campo novamente, esperando que o juiz apite e o novo time entre em campo.

5 comentários:

  1. Muito bonito e bem escrito seu texto. Vá com calma, ou não. Vão como quiser mesmo. Afinal, a vida é sua...
    Me lembrou aqui a música do Lenine, Martelo e Bigorna. Sabe qual é?

    Um beijo

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  2. Muito bom o blog.Muito bom os textos,a organização das gravuras..Avante,colega!

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  3. Bravo, bravo!

    E vida nós, mulheres avessas à mornidão.
    E que os moços mornos mantenham distância.

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  4. Também detesto meios-termos. Belo texto. Parabéns.

    Beeeejo pra você. :)

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