13.10.10


"Querido John, Há tanta coisa que quero dizer para você,mas não tenho certeza por onde devo
começar.
Devo começar dizendo que te amo? Ou que os dias que passei com você foram, os mais felizes da minha vida?
Ou que, no curto espaço de tempo que nos conhecemos, passei a acreditar que fomos feitos um para o outro?
Poderia dizer todas essas coisas e tudo seria verdade, mas, enquanto releio essas palavras a única coisa que passa pela minha cabeça é que queria estar com você agora, segurando sua mão e olhando seu sorriso efusivo.
No futuro, sei que vou reviver o tempo que passamos juntos mil vezes.
Vou ouvir seu riso, ver seu rosto e sentir seus braços em torno de mim.
Vou sentir falta de tudo isso, mais do que você pode imaginar.
Você é um cavalheiro raro, John, eu estimo isso em você.
Todo o tempo em que estivemos juntos, você nunca me pressionou para dormir com você, e eu não posso dizer o quanto isso significa para mim.
Tornou o que temos ainda mais especial, e é assim que eu quero me lembrar para sempre do período que passamos juntos.
Como uma luz branca e pura, cuja contemplação é de tirar o fôlego.
Penso em você todos os dias e sei que, quando for te ver amanhã, dizer adeus será a coisa mais difícil que já fiz.
Parte de mim teme que chegue um momento no qual você não sinta mais o mesmo sentimento, que por algum motivo você esqueça do que nós compartilhamos, então é isso que eu quero fazer. Onde quer que você esteja e não importa o que esteja acontecendo em sua vida - quero que você a encontre no céu noturno.
Quero que você pense em mim, e na semana que partilhamos, porque, seja onde for, seja o que estiver acontecendo na minha vida, é exatamente isso o que eu vou fazer. Se não podemos estar juntos, pelo menos compartilhar isso, e talvez
entre nós, sejamos capazes de fazer isso durar para sempre.

Eu te amo, John Tyree, eu vou agarrar-me á promessa que uma vez você fez a mim.
Se você voltar, vou me casar com você.
Se você quebrar a sua promessa, vai partir meu coração!"

10.9.10

Satisfações

O blog anda um pouco muito parado. Isso deve-se a minha falta de tempo, como também à minha vida chatinha.
Meu coração, coitado, está mais parecendo uma pedra de mármore, tamanha a frieza e falta de sentimentos.
Espero que em breve ele volte a pulsar tão forte quanto outrora, nem que seja por segundos, ou frações de segundos, mas que seja tempo suficiente pra que eu me sinta, no mínimo, uma louca perturbada e desequilibrada que acabou de encontrar seu mais novo único e verdadeiro grande amor. 
Enquanto isso não acontece, deixo vocês com um delicioso texto chamado 'O Sal' de Luciana Elaiuy:


"Saiu para comprar sal. Nem sempre a doce vida é a melhor vida. Doce enjoa. O Sal dá sede. Sal deixa a gente vivo. Ele saiu para comprar sal. Deixou a casa acesa. A luz em cima da mesa. A busca é sempre a mesma: levar o sal pra casa, tempero de uma risada, graça até pro copo d´água, mas a sede é sempre vesga.
Ele cruzou esquinas, cruzou os dedos, mal sabia. O sal era a ausência que ele deixava quando saía, era o frio de estar sozinho, o sal era só até a esquina, era ela sentir a falta um pouquinho. E ela sentiu. Por isso temperou os planos pro futuro com têmporas tensas e empolgadas. Visões um tanto salgadas, mão molhada, ela sob a luz daquela mesa. Esfomeada. Esperou. Mais um tanto de espera, mais um tanto de espera, mais um tanto de espera, mais um tanto de espera: ele não voltou. Pesou demais a mão no tempo e o tempero dessalgou. Ela escreveu na geladeira “o sal acabou”. E saiu pra comprar um doce, mas a busca é sempre por amor."


26.7.10

Pormenores Urbanos


Tudo o que ela dizia era:
- Casquinha um e cinquenta, cascão dois e trinta.
Apesar da fala escassa, Andréa tinha pensamentos desmedidos, que entravam em conflito entre si. Andréa gostava de imaginar como seria a vida das pessoas que por ali passavam.
A maquininha de sorvete na qual ela trabalhava ficava dentro de uma daquelas galerias antigas, bem estilo latino-americano, às vezes a essência do sorvete se misturava com o cheiro do fumo de corda e do óleo saturado do pastel. A vista era fixa nas suas seis horas de trabalho. Em pé ela via, a lojinha de quinquilharias "MADE IN TAIWAN" e seu Vendedor Sul-Coreano, amargo e de poucas palavras, vai ver que ele não falava muito por não saber o português, pensava Andréa. Além dele, havia a Mocinha do Açaí, essa era simpatia pura, porém, Andréa desconfiava daquela alegria toda e se irritava fácil quando a moça dizia "tá uma delícia", é claro que ela iria dizer que o açaí estava bom, Andréa caia no riso mental quando montava cenas em sua cabeça:
- Me vê um açaí na tigela?
-Sim, mas o sabor é horrível e lembra terra, sabe?
-Tudo bem, eu gosto do sabor.
-Mas não deveria, pois...
Para ela, a Moça do Açaí era alérgica ao fruto e odiava o sabor. Diante de cenas como essas, brotadas da grande imaginação de Andréa, ela passava seu tempo, confabulando sobre a vida de cada um que por ali passava: A Velha de Bengala, Os Meninos Que Corriam Pelo Corredor, A Do Vestido Curto, O Barbeiro Efeminado, A Pipoqueira, O Patrão. Todos personagens de uma vida(com trama, enredo, roteiro, conclusão e fim) alheia à sua.
Terminado seu expediente, ela caminhava pelos corredores úmidos da galeria até chegar na calçada onde seguia até o ponto de ônibus, a cada passo, Andréa percebia que ela era A Moça Do Sorvete Expresso, e que nada poderia imaginar sobre si própria, pois, conhecia sua realidade "Casquinha um e cinquenta, cascão dois e trinta", e assim se poupava de ter um sonho próprio. Naquele momento um sentimento de tristeza subiu-lhe à garganta, como se tivesse engasgado ao contrário, e por um instante ela tentou criar cenas - Cenas de Andréa, porém, quando caiu em si, estava no banco do ônibus e ao seu lado estava uma mulher com uma sacola gigante, então toda a tristeza desapareceu, como se alguém tivesse dado-lhe alguns tapas nas costas, e a partir dali, uma nova história surgia, a Da Mulher Da Sacola Gigante. E até a próxima parada, sua mente estaria ocupada.
Entender?
Vai ver que nem Andréa mesmo entendia, e nem se preocupava, pois, sua rua era bastante movimentada.

20.7.10

No picadeiro...

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A vida, pilantra que só ela, vez ou outra se encarrega de nos apresentar verdadeiras anedotas ambulantes. O palhaço arrogante costuma levar sua vidinha tentando buscar o porquê de sua arrogância. Ele discute sobre assunto que não tem conhecimento, fala asneiras, conta vantagens, faz cara de intelectual, ostenta-se com o pouco que conseguiu e não percebe a falta de motivos para ser assim, o que o torna ainda mais ridículo. Mas como sua arrogância não o permite enxergar seu próprio nariz (pra não dizer rabo), ele prossegue com críticas idiotas e sem sentido, talvez pra esquecer o fato de não ser aquilo que sempre idealizou. Com tudo isso, ele sempre torna-se alvo de piadas, e não poderia ser diferente, afinal é isso que ele é: um palhaço.

14.7.10

A borboleta que virou lagarta

Enquanto outras mentes se dedicam a números e formas racionais, meu universo paralelo se sobressai sobre vias-láctea e  planetas.
Sinto que os ponteiros não se importam em correr tanto, e eu, assim como eles, pouco me importo com isso. O peso das horas se tornou indolor, e eu quase não sinto culpa. Há meses atrás era verão, mas enquanto pisquei os olhos chegou o inverno - o veneno desta estação tem sido procurar em todas as cenas as respostas para vinte e dois anos de exaustiva atuação.
Tantas sombras e nenhuma diz a que veio. As horas de hoje são dissolvidas nos gelados goles de cerveja aos sábados, elevando à memória o espaço vazio ao lado e o vazio de dentro, triplicado pelo álcool e por esta mente que borbulha incertezas. E é sempre na manhã seguinte que o peso da noite passada surte efeito sobre carne e espírito.
Do outro lado da janela tudo parece, e creio que sempre parecerá mais fácil. Enquanto o ônibus roda, a cabeça gira e o mundo brinca de ciranda em mim. Admito que não importa o quão livre sejamos, há sempre uma bagagem a ser presa até nos mais finos calcanhares.
Respiro uma liberdade contida, vistoriada, calculada, pensada e amarelada de tanto medo. É chuva que não molha por completo, copos que só causam ressaca, causas que só causam peso.
Precisar pensar se dou mais um passo aos moinhos é pior do que pensar se eles deveras existem.

9.7.10

Sobre o escuro

Poucas coisas me dão mais segurança do que a escuridão, e digo que pra muitas pessoas também, até para as mais medrosas costuma fazer bem. No escuro as pessoas não são baixas ou altas demais e ninguém vê seus quilinhos a mais. No escuro ninguém vai comentar sobre seu cabelo bagunçado, sobre sua unha descascada ou sobre sua maquiagem borrada. 
No escuro você não conhece as pessoas, você as reconhece. Reconhece a voz, aquela voz que te dá paz e que será sempre a mesma, em qualquer lugar do mundo, independente de qualquer coisa. Reconhece o toque, porque seria impossível não reconhecer aquelas mãos. Reconhece um traço, muitas vezes despercebido se apenas visto com os olhos, mas incapaz de não ser reconhecido quando tocado, quando sentido.
No claro as pessoas reconhecem o que há de mais supérfluo. No escuro não. No escuro não somos nós quem reconhecemos, são nossas almas. E elas vêem além.

6.7.10

Rimar, ri, mar...


Passeando por aí eu comigo mesma e mais ninguém
Pra ficar tudo bem
Ofuscar os problemas e tornar as dores pequenas
Esquecer que os momentos se convertem em pensamentos
Eles são como bolinhas de metal pesado girando pra todo lado
Agora vê se te vira e agüenta a confusão que se faz
Na caixinha de massa cinzenta
Que faz pesar o que era leve
Me faltam músculos morais pra carregar tantos ais
Ah, que bobagem
Logo eu, que não confundo amor com miragem
Pergunto à nuvem negra quando é que o sol vai brilhar
E a mim mesma se minha razão vai voltar
"Quem não tem visão bate a cara contra o muro"

Sabe, eu nunca fui alguém de muitas certezas
Mas tem alguma coisa por trás desses olhos que me aflige
E é fulminante a vontade de estar em qualquer lugar
Que você lance o olhar
E já não mais cabe tanta aflição
Por não saber, por não ver, por temer
Que tantas cores se desbotem assim
Deixando tudo aqui dentro em absoluta revolução
Ah... certas imagens são capazes  de congestionar um coração.

29.6.10

Sobre perfeição e laranjas

“Gostaria de saber por quanto tempo vai ficar me olhando, pra eu poder calcular quanto vou cobrar!”– disse-me a Amélia, faceira, na primeira vez em que eu a vi. Os olhos eram de um verde amarelado levemente acinzentado que eu nunca tinha visto; eram grandes e pareciam interessados em tudo, porque abriam-se ao limite, sem nenhum esforço; mas não olhavam para mim, olhavam para a mesa 21 do boteco Santa Tereza, esquina de assombros de boêmia desregrada que não costumava receber tão belas criaturas. Ela disse aquilo e fez um movimento ríspido para o lado, que chacoalhou o ar ao redor e me jogou um pouco do cheiro de banho que ela tinha. Hesitei por um minuto de agonia que me subtraiu um século e respondi, firme, à sua pergunta: “55 minutos só, pode ser?” – abri aquele sorrisão de vender creme dental e mudei o chiclete de lado, fingindo descontração. Foram exatos três segundos de uma expressão indefinida até que ela, rendida, sorrisse também. A redenção abriu o caminho em que estou até hoje. Amélia e eu vivemos há 25 anos naquilo que, se não for amor, não sei do que posso chamar. É certo que meu bigode já não me cai bem em conjunto com a calça listrada. E nem o meu cabelo tem o balanço necessário para se deixar cair aos ombros. Já não cabe aquela interpretação quase shakespereana em que nos lançávamos para fingir desinteresse, sempre que havia muito dele. Sob outros e estranhamente inabaláveis alicerces é que se sustenta a nossa durável relação. Sinto-me protegido num amontoado de nuvens brancas e serenas, onde tudo é segurança e perfeição desconcertante. Agora que os olhos de Amélia, vencidos pela passagem do tempo, já não são tão grandes, nem tão esverdeadamente amarelado, eu poderia fazer disso belas razões para não mais querer essa vida; criar válvulas de escape mentais para fugir dessa rotina disfarçada de amor e dizer que perdi anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero! Mas nem ao menos argumentos suficientemente negativos e convincentes eu tenho para querer fugir. “O grande e perturbador problema dos aviões é que não podemos descer a toda hora para comprar laranjas”, eu me alivio, lembrando Mário Quintana, enquanto saio subitamente do meu castelo para comprar laranjas para a minha Amélia.

PS: Crônica escrita pra um trabalho de Produção de Texto da faculdade.

23.6.10

Inclassificável


Ela mal sabia as horas quando ele entrou por seu coração dilacerado e se instalou sem nem bater na porta. Entrou, se esticou, deitou, rolou, cantou, dançou, e depois, em vez de se jogar na Lagoa Rodrigo de Freitas, se instalou. Já tem cama, comida, roupa lavada. Lugar certo na poltrona, cadeira reservada na mesa e escova de dentes. E aquele jeito de dormir? O jeito plácido de olhar, o jeito de não olhar. Ah, o jeito de não olhar... O sorriso tímido de quem ri em lugar que não pode, o jeito terno de dobrar a esquina e olhar pra trás, a tranqüilidade. Os delírios em sonho, os sonhos em realidade, a realidade delirante. Os filmes recheando tardes vazias, as mãos esquentando o frio, o macarrão esparramado no prato. E aquele casaco azul? E aquela mochila nas costas? O cabelo mal ajeitado do lado, o dente sujo de biscoito, o pescoço cheirando a perfume matinal. E os risos contínuos? O dormir e acordar, o acordar pra depois dormir outra vez, o sorriso despercebido, no cantinho da boca, lindamente espontâneo.
E a saudade? O aperto bem no meio do coração, a sensação de ter esquecido como é sorrir mutuamente, a vontade de ver passando pela janela quando só se ia fechar a cortina, e sair correndo fazendo palhacice, a vontade de encontrar por aí, casualmente. Mas não, há a falta. E a ausência? O buraco, o tracejado reticente de mim mesma, a lacuna que só me há quando você não está. Mas depois torna tudo a se repetir. E nós?
Os apertos e rodopios, as cantorias e as artimanhas, os sabores e os amores, os doces e os levemente amargos, os abraços e os afagos, o apego, o sossego. E aí volta a ausência, soberana, em passinhos sorrateiros, fazendo-se por despercebida, levando um tanto de nós, e trazendo um pouco mais de nós, muitos nós, que custam a desatar. Ela nem sabia o que era que chegou invadindo, e seguiu colorindo. Hoje já está desbotado, quase imperceptível. Não importa: pra muita coisa importante falta nome.

10.6.10

Sobre o tempo

Há muito tempo não penso nele. Talvez esse seja o motivo dele vir caindo sobre mim com tamanha brutalidade. O fato é que ele vem comigo para onde eu vou, não consigo driblar o tempo. Sacana. Recorro às cinco letras que o formam para me queixar. 
O tempo senta-se a me olhar enquanto me arrasta por suas vontades, sempre exibindo seus dentes largos de satisfação. Mas não o culpo, é assim desde o seu início, e é assim com todas as pessoas. Já o caluniaram por todos os cantos. Souberam dignar-lhe ingratidão quando, rápido, acelerava os seus ponteiros. Oportunava-lhe o ofício: adiava-se o passo para agradar a quem lamentava o seu afã, nutria a tristeza dos que, mergulhados em alguma infelicidade, admiravam apenas a passagem das horas. Mas acontece que o tempo, tolo por tantas vezes, notou que precisava apenas prosseguir, sem medir as consequências. Talvez aí tenha nascido a sua arrogância: não por gostar de assumir tanta honra, mas por saber o seu lugar no mundo. 
O tempo passou a bastar-se. Desliza em seus passos sorrateiros por onde quer direcionar os trilhos do mundo, e nada abole o seu passeio. Decide direções, faz escolhas, amortece dores e desbota cores. Arquiteta sesações, eterniza sentimentos, possibilita esquecimentos. Faz brotar inovações, apaga vanguardas, esmigalha o que fica pra trás. Condiciona os sabores, a direção dos ventos e a duração dos amores. Inspira, mas remete a chichês: o tempo não pára. É por causa dele que existe o aprimoramento e o requinte; a evolução e o retardamento; o declínio, a escassez, a falência múltipla dos órgãos; o ir e a possibilidade de voltar; o espaço, a probabilidade: a estúpida alternativa de deixarmos pra depois. 
Cada vez mais, tem as faces coradas quando mencionam seu nome por aí. Artigo de luxo da atualidade, ele ajuda, inconscientemente, a erguer os faustos de um mundo que até para respirar, o faz apressado. O tempo é irritantemente contínuo e misteriosamente incerto. Já lhe apontaram o dedo na cara aqueles que recriminam a sua implacabilidade. Outros, não sem nenhuma ironia, chamam-lhe “compositor de destinos”, “tambor de todos os ritmos”. Alguns, mais sutis, tratam-no intimamente de “mano velho”. Bobagem. Ele não busca companhia, deseja apenas ser tempo. Segue enérgico, a passos firmes, sem perceber as distorções que faz – ou deixa de fazer. Mal sabe que, por diversas vezes, o seu avanço contínuo e fugaz não evitou que permanecessem ilesos alguns aspectos da humanidade; não somente os cantos insólitos, como também os mais evidentes e gritantes: todos imunes às variações que o ele é habilitado a fazer. 
O mundo não se decide em relação ao tempo, observa o seu próprio percurso e consegue sair intacto às suas manifestações. Daí vem o porquê de o que é moderno ou avançado nem sempre estar aliado às artimanhas temporais. Cheio de astúcia, esse tempo. Agora mesmo ele ri por mim um riso tímido e quieto por ter passado impunemente enquanto tirava-me horas irreversíveis, fazendo-me pensar nele. Seu conceito é o retrato primoroso da complexidade. Mas talvez seja só porque eu há muito não pensava nele. E talvez também por isso, ele caia sobre mim com tamanha brutalidade, rindo um riso tímido e quieto.

8.6.10

Sobre árvores e ventos

4661870368_044238b32f_largeEsses dias li em algum lugar que pessoas são como árvores, mas  isso me incomodou. Certa vez Eça de Queiroz disse que "a vida é essencialmente vontade e movimento". Não quero ser árvore, mas preciso ser, e até confesso que sou. Preciso de minhas raízes, preciso saber onde eu começo para entender onde termino. Preciso me firmar, nem que por pouco tempo:  ter meu ancoradouro. Me anima mais a idéia de ser catavento, que a cada giro mostra uma cor diferente, mas é preciso cautela, saber que até para ser catavento é necessário se estar submetido a alguma coisa, afinal, é estar inteiramente a mercê da pretensão do vento. Pra falar a verdade quero mesmo é ser metade árvore, metade vento. Vento para jamais parar de soprar, e árvore para sempre ter onde sossegar. 
- Pensava ela debaixo de uma árvore, enquanto o vento soprava acelerado o enfado de uma manhã de segunda-feira.

3.6.10

Sobre leveza

Naquele dia ela pensava em como as pequenas pedras que emolduravam o mar eram metodicamente pesadas para contrastarem com a leveza da água quando nela fazem aquele barulhinho bom de escutar. As pessoas que dividiam aquele espaço com ela, ocupadas em viver aquele sol e aquele verão, não compartilhavam dos mesmos pensamentos, e o que acontecia era que toda aquela angústia cabia perfeitamente em todo aquele espaço, ainda que a pequenice de sua cabeça não lhe permitisse guardar muito mais que alguns tormentos. Deitada na areia quente, não conseguia dormir. As pessoas continuavam a rir e conversar, a escandalizar e a rir, a fumar e a rir, a se movimentar rindo, e a rir tanto, que pareciam chorar.Ela ignorava, queria dar vazão àquelas dúvidas, continuava a pensar na leveza. Não conseguia dormir. Os olhos fechados e a mente aberta. A boca se permitindo inundar daquele ar e de todo aquele mormaço; a preguiça que aquela calmaria proporcionava. Ela pensava em como o verão podia ser leve; as roupas, o tempo que se estende, as obrigações que ficam para depois da cerveja, que ficam para depois do almoço, que ficam para depois daquela noite mal dormida e pra depois daquele dia em que todo mundo sente sono. Enquanto grudava seu corpo na quentura da areia, pensava em tudo que existe como um ciclo; pensou tanto que, no final, o peso das pedras em frente ao mar deixou de importar, já fazia algum sentido. Mas, principalmente, ela própria se sentia diferente, um tanto mais aliviada e menos insignificante que no início daquele temporal sazonal de sensações. Apenas diferente: mais leve, afinal. A vida é feita para se morrer dela!

27.5.10

As mesmas nuvens

Por mais que eu faça, tente, me esforce e exploda, sempre fica a sensação de colocar água é um copinho furado: escorre, seca, some e eu fico com sede. É que por quilômetros - poucos quilômetros - pensei que o sonho fosse a parte branda da agressiva realidade.
Então, tá! Eu já deveria saber acordar, e se não sei, sou a única culpada pelo susto de abrir os olhos. Pobre e ingênua mortal: persisti no erro e colho a esperança que, todas as manhãs, rego com o que me resta de humor.
Voltei as ter olhos abertos, mas ainda me custa acreditar que permiti que eles se fechassem por tanto tempo. Grande ingenuidade é embarcar em nuvens sem passagem de volta ou certificado de garantia.
Então, tá! Bem no fundo sempre sei aonde a nuvem vai me levar. No final fico com a falsa e resignada certeza que definitivamente aprendi a manter os olhos abertos - até que vem outra nuvem e me convence, às vezes com poucas palavras, a mais uma viagem.


Whitey para Lucas se referindo ao Keith 
"Eu sei que você quer algumas respostas... 
Mas qual é a resposta certa? 
Porque não há resposta certa... 
Há apenas vidas... 
Apenas vidas" OTH

20.5.10

O monstro

Os dias com excesso de sol e as noites com falta de chuva é que fizeram do habitual uma incrível monstruosidade. O fato é que não há mais volta: é um monstro, agora. Cruel de tanto doce; injusto de tanta sensatez; gélido de tanto calor dissipado.
A lentidão é a única possibilidade que ele me deixa de fuga. Vem em minha busca e eu sei que agora há de ser a vez definitiva: ou abandono ou me deixo aprisionar de uma vez. Ele me agarra os pés; faz tentativas incessantes de retardar meus passos curtos e apressados, que ele não saiba, mas retrocedia mil passos cada vez que ele deixa seu perfume em mim. Monstro sofisticado. 
Eu corro num ritmo fragmentado: é difícil convencer alma e corpo de algo que nenhuma parte de si quer. A alma não sabe fugir. Audaciosa, enfrenta monstro-a-monstro, irradiando luz a cada vitória. Quando dou por mim, meus dias resumiram-se a um correr contínuo, que esconde seus reais motivos entre o cotidiano. Cada dia que encerra é uma etapa a menos para os joelhos, que ameaçam uma dor sincronizada, e para a mente que dá sinais de sonolência.
De repente, as bandeiras são hasteadas. Faz silêncio. É a vitória: a razão triunfa sem alardes. Vencemos a corrida. O monstro. Perfume. Olhos. Saudade. Fraqueza. Tudo ficou à km de distância. A tranquilidade é verde e tem cheiro de mãe e pai. Pronto. Podemos comemorar. A sala está vazia agora, tem bastante espaço para a comemoração. A razão, no entanto, não se deixa acometer. A sala está vazia e a pista de corrida também. Talvez eu não soubesse que toda a fuga terminaria no vazio.
Agora a sala está vazia. A paixão e o monstro se calaram em sintonia. A vitória da razão não curou nenhum machucado. Continuam aqui os arranhões que eu mesma fiz; não podemos culpar o monstro, ele nem mesmo existe. O fim é onipresente e ignorá-lo é opcional. As nuvens não fizeram nenhum sentido e de nada adiantou esperar que a vida o fizesse. O monstro ficou para traz.
Eu penso em encontrar um jeito paliativo. Quanto mais penso, mais descubro a eficácia de deixar estar. A dor só passa depois que dói, assim como o fantástico do encontro só passou depois que o vivemos até sua última gota, ou terá sido a falta de deixar-nos viver até a última gota que deu monstruosidade ao que era habitual?
Agora a sala está vazia. E eu também.

17.5.10

Patético!

“O amor nos torna patéticos, sexo é uma selva de epiléticos”. Inquestionável observação feita por Rita Lee na música Amor e Sexo.
Ontem estava eu no silêncio da madrugada, lendo algo banal, quando meu computador emite um alto e sonoro smaack, eu, claro, pulei da cadeira graças ao susto. Quando olhei pro cantinho da tela a plaquinha dele tinha subido, me recusei a acreditar que configurei meu Messenger pra tal pieguice. Como costumo não ouvir som no meu quarto, nunca tinha atentado a esse detalhe. Ri de mim mesma. Fiquei me perguntando em qual momento de surto psíquico, desordem ou embriaguez fiz aquilo. Não consegui chegar à conclusão alguma. Melhor assim. É por essas e por tantas outras que vejo o quanto progredi nas minhas tentativas de esquecimento. Mas ainda não estou satisfeita, afinal, ao escrever o que consegui descolorir da minha memória, tudo acaba voltando. Agora já enxergo cenas em preto e branco. A orquestra está no momento melancólico da música. Vou me esquecendo tanto que nem reconheço como eu era naqueles dias, imagine o outro como deve estar mudado. Quando as sensações, as imagens, os dizeres, as intenções vão se esfarelando, eu vou me aliviando. É como se a vida estivesse me dando uns goles de ar depois de uma corrida sem muito sentido.
A propósito, alguém sabe como altera-se os sons pessoais do Messenger?

12.5.10

É pedir demais?

Sou humana e repleta de defeitos. Hoje me falaram que gosto de julgar as pessoas, mas eu pergunto: o que na verdade seria julgar alguém? Dentro do fato vivido, fui talvez taxada de leviana pelo fato de dar minha opinião e fazer uma escolha. Minha vida é como uma empresa, e eu, claro, sou quem tomo as decisões que considero cabíveis a ela. Meu cérebro é o porteiro da tal empresa, e ele por sinal é um funcionário polivalente, vejam que  excepcional, ele sabe exatamente quem deve entrar e quem deve sair. Palmas!
Diante disso, não me apetece conviver com quem não sinto apreço, com pessoas que considero duvidosas. É bom saber onde piso, embora talvez eu nunca saiba realmente. 
Isso é julgar? Meu dicionário prova que não. Julgar vai além desse tipo de atitude. Isso chama-se seleção. O que tenho visto não me agrada, e cada vez me apaixono mais pela minha própria companhia, pelos meus filmes, e pelos poucos livros que tenho tido condições de ler. Tenho andado com a atual mais famosa obra de Elizabeth Gilbert na bolsa, ela tem sido minha fiel escudeira - obrigada, amiga, por estar sendo tão leal a mim.
Antes que pensem equivocadamente, eu não surtei, e está longe disso acontecer, mas tem sido mesmo complicado viver por aqui, eu tento ser o mais clara que posso com as pessoas que amo, mesmo que isso machuque-as. Reciprocidade é ouro pra mim. Então eu peço: machuuuuuquem-me, retribuam esse ardor da verdade, joguem em mim um turbilhão de artefatos bélicos, mas sejam sinceros, por favor!

5.5.10

Um lugarzinho pra me encostar

E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar, desses aconchegantes e acolhedores como abraço com cheiro de banho. 
Me recolhe pra dentro, de onde quer que seja, e me conta de você, mesmo que não seja interessante; nem sempre podemos ser interessantes. Na maior parte do tempo nos resumimos a um ser de saco-cheio, cansado, querendo explodir, ou querendo um lugar pra encostar...
"O melhor está nas entrelinhas". Acredito nisso, daí engoli essas palavras e vomitei-as em forma de certeza. Certeza de que é assim, é simples. Não precisa ser de outro jeito, mas as definições gritam. Definições inteligentes, profundas, retóricas.
A vida dispensa a metafísica? Mas se o amor fosse comparado a coisas desse mundo teimoso trataria de definí-lo como algo bem pragmático, que é pra perder a graça e eu parar de querer definí-lo.
Logo eu, que sempre carrego grandes quantias, nunca me dão troco. E eu saio só com o sorriso amarelo e com uma mão na frente, e a outra atrás. Essa bobagem não satisfaz, não falo de coisa muito séria - não! Aquela coisa que põe aliança e apresenta para os tios - não!  Apresenta para a alma, que já fica tudo bem. Procuro doçura nos potes de açúcar. Adoçante não, obrigada. Com a acidez da vida a gente se entende Adoça daqui, adoça de lá E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar.

3.5.10

Cada volta é um recomeço


Há quem diga que só amamos verdadeiramente uma vez na vida.
Há um tempo atrás eu costumava repetir que meu amor já tinha passado, e que eu jamais sentiria aquelas sensações bobas de quando se está apaixonada. Hoje eu tenho dúvidas quanto a isso. Estou pensando seriamente em recorrer ao Aurélio, talvez ele me ajude a dar nome ao que eu sentia outrora, mas precisamente naqueles meses em que ele era o meu primeiro pensamento matinal – pra mim não existe prova mais concreta de que se está veemente apaixonada do que essa, dormir pensando nele, acordar pensando nele. Mas estou cada dia mais certa que a vida é movimento constante, e a graça está nas singularidades de cada volta. E novas nuvens aparecem exatamente quando não esperamos por elas. Já estou com tênis de escalada, chocolate no bolso e mochila nas costas, pra cobrir qualquer esmorecimento. "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", já observou, bem antes de mim, Vinicius de Moraes. Eu concordo e recomeço - um recomeço que já se deu tantas vezes antes.

28.4.10

Alô

Era ele. E que seja celebrada a tecnologia que permite o ensaio do mais inesperado alô. Amaldiçoada seja a mesma tecnologia que ensaia as mais inesperadas surpresas. Ainda que não fosse tamanha surpresa assim, mantinham os laços ilusórios que se firmam quando surge a cordial idéia da amizade depois do fim, embora falar em amizade torne mais insustentável o cenário em queda. O fato é que era ele.
O tempo longe fazia surgir, como se pode supor, a ansiedade. Uma ansiedade cujas raízes estão no medo. Ainda que o tempo compartilhado o tivesse solidificado no imaginário dela, o tempo longe, em que estiveram como linhas paralelas, fizera surgir a dúvida quanto a solidez do seu imaginário. Daí vinha a ansiedade, atrelada ao medo de que todos aqueles dias o tivessem feito esquecer. E na mais cruel das hipóteses, aquela que ultrapassa o esquecimento, temia que ele a tivesse colocado na sombria estante da indiferença. O celular, então, não tocaria e aquele dia perderia o que adquirira de especial, mas ele tocou freneticamente aquelas musiquinhas clichês, piscando feito um chafariz de cidade pequena em dia de festa. Ela estava em plena aula de Gestão. Respirou mais fundo. Olhou pra porta da sala e saiu correndo pra atender.
-
Alô! Como vai?
Assuntos fartos de cordialidade. Cordialidade e interesse desinteressado. Ela falou das novidades, acabou por priorizar as ruins. Ele contou algumas poucas coisas, afinal desde sempre era ela quem falava mais.
Naqueles tempos ele poderia completar as noites ouvindo-lhe falar sobre festas, metas e deslizes. Ele sentia-se terrivelmente bem pela desculpa realista que lhe permitia apenas ouvir o que estava dentro dos padrões daquela cordialidade, impulsionadora de ligações vagas. Ela, no entanto, poderia passas noites completas com ele.
Delicadamente, ele citou o caro preço das tarifas. Ela nunca havia atentado para o quanto tais tarifas poderiam ser caras. Ela entendeu, também delicadamente, a carestia dos números e dos fatos. Foi logo tratando de silenciar todo o acervo desesperado que, acumulado naqueles meses de espera, via-se livre.
Ele apressou-se em consumar a ligação. Não seria de nada cordial que se formasse aquele famoso silêncio feito apenas para que se ouça a respiração alheia. E junto com ela todo o sentimento que, por explicações cósmicas, ultrapassa a barreira dos fios e se faz explícito de lado a lado.
-
Parabéns. Felicidades. E uma vida completa.
- Obrigada. É bom ouvir você.
E o silencio precedido de uma rápida e premeditada despedida. Premeditada a fim de evitar maiores movimentos “incordiais”.
Desligaram, prometendo, sem nenhuma intenção de consumação, que se veriam em breve. E o silencio que se fez no corredor da universidade foi capaz de depreciar a algazarra daqueles que transitavam por ali. Lágrimas cordiais caíram dos seus olhos teimosas e infiéis. Pensava ela nas horas que passou ansiando pelo irreal e deixando o real esvair-se. Ao enaltecer o que era simples, tornou-o inatingível. O amor não deveria ser uma meta de auto-realização. Era simples demais para se tornar algo premeditado. Agora, sozinha, indo em direção a lanchonete, essa conclusão lhe parecia óbvia. Os olhos carregam a frente nuvens de poeira, colocadas com o propósito fatal de confundir o aprendizado. O tempo que se leva para minimizar os grãos de poeira imperceptíveis é o que determina as datas felizes. Assim, ela pegou um copo de água. Era seu aniversario e ela ainda receberia tantas outras ligações cordiais. Algumas delas ainda empoeiradas. As mais cruéis, tardiamente limpas.

22.4.10

vinteedoisdeabril

Eu quero viver mais uns cem anos, 
pra reparar os danos e um dia te encontrar por aí  ♪


Nascida em uma calma madrugada de abril de 1988, sempre foi uma criança feliz. Habituada desde cedo à calmaria da cidade onde nasceu, sabia que o mundo podia ser maior. Era inclinada às pessoas, muitas delas, mas não todas – tinha especial apreço pela vó Tica, uma deliciosa mistura de cabelos brancos e meiguice que cuidava dela em alguns fins de semana de festa de seus pais, embora não houvesse muito do que tomar conta, já que era uma menina sossegada, principalmente sem a mãe e o tão cuidadoso pai por perto para frear sua euforia. Nos outros momentos, vivia andando de patins ou rolando pelo chão em meio aos tantos livros que seu avô comprava pra presenteá-la. Tinha medo do escuro e da Rifocina que a mãe sempre usava pra curar os joelhos ralados no asfalto. Foi criada em família de comercial de margarina, desacostumou-se às severidades da vida. Como profetizaria anos mais tarde Lya Luft, não sabia se libertar do monstro metade infantil metade adulto que nos faz achar uma contradição que pessoas e paixões morram. Assim, já amarga um choro desacreditado só em pensar na inevitável morte de algum ente querido. Absurdo dos absurdos, de ex-aspirante à astronauta, quis tornar-se jornalista, mas agora é futura contadora, pena que não seja de histórias, é de números mesmo, logo ela que foi sempre tão letrista. Nasceu no interior do Rio Grande do Norte, comia pipoca na praça e caminhava junto a um santo de barro a cada semestre nas procissões das padroeiras da cidade. Uma cidade que não conhecia a malícia. Mas, fatalmente, cresceram: ela e a cidade. Muitos meses de abril se passaram, o céu mudou de cor, o medo da Rifocina continua, mas agora ela tem imensa adoração pelo escuro. E é, em linhas gerais, uma taurina fervorosa, feita inteiramente de medos e sonhos. Passou de criança gordinha e desconjuntada para a atual estrutura nem magra, nem obesa, mutável e explosiva. Atualmente, sorri com todos os dentes sempre que pode, procura a felicidade nas coisas mais simples, conheceu pessoas que pretende levar com ela para todo o sempre. É destemida, mete a cara naquilo que quer, não conhece limites, ri da própria desgraça (com exceção dos dias de surtos depressivos), mergulha de cabeça nos mares desconhecidos da vida, se entrega, impávida, às mais apavorantes crises existenciais. Inocente incurável, ainda vive na cidade que a viu crescer. Embora o desejo de liberdade grite constantemente, ela não se imagina longe daqueles que são seu alicerce. Sempre imergida no presente, vive em constate descompasso entre o que é e o que ainda será. Hoje, dia 22 de abril de 2010, fazem 22 anos que ela vive nesse mundo louco. Só por obstinação ou capricho, periga chegar até os 122, só para ver no que vai dar. Possivelmente, em sua lápide, se houver uma, o sutil lembrete: “aqui acampa Danielly Oliveira: estonteada com a peso da vida, morreu de tanto viver”.